Ex-bolsistas desenvolvem aplicativo para promover empoderamento feminino

As estudantes Brenda Miranda e a Marcela Alves, ex-bolsistas do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF), foram finalistas da competição global WVEF Tech Challenge, organizada pela ONU e Google, para promover o empoderamento feminino nos negócios por meio de plataformas digitais. Os cinco projetos finalistas representaram Brasil, Costa Rica, Quênia e Tailândia. O vencedor foi o time do Quênia, mas as brasileiras foram agraciadas com menção honrosa.

 

As estudantes Brenda Miranda e a Marcela Alves, ex-bolsistas do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF), foram finalistas da competição global WVEF Tech Challenge, organizada pela ONU e Google, para promover o empoderamento feminino nos negócios por meio de plataformas digitais. Os cinco projetos finalistas representaram Brasil, Costa Rica, Quênia e Tailândia. O vencedor foi o time do Quênia, mas as brasileiras foram agraciadas com menção honrosa.

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A ferramenta desenvolvida pelas estudantes, EmpowerIt, é um aplicativo para impulsionar negócios gerenciados por mulheres ao redor do mundo. "O protótipo do nosso aplicativo foi desenvolvido para ajudar corporações a se conectarem com mulheres empresárias para fazerem negócio entre si. Permitimos que eles registrem seus negócios e façam o primeiro contato baseado nos resultados de buscas feitas por meio de alguns filtros específicos como setores da indústria ou certificações da empresa", explica Brenda. "Nossa visão é tornar o EmpowerIt uma referência de ferramenta de negócios para a promoção do empoderamento feminino por facilitar a busca por negócios gerenciados por mulheres e possibilitar o primeiro contato entre os empresários em busca de novas parcerias."

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A estudante de Física do Instituto Federal Fluminense (IFF) explica, ainda, que a ferramenta está em constante aprimoramento. "Mais para frente, buscaremos não só oferecer suporte para que as mulheres consigam manter os seus negócios por meio das parcerias formadas, mas também alimentá-las com informações sobre capacitação e gerenciamento dos seus negócios. O serviço de geolocalização foi pensado para possibilitar conexões entre empresárias localmente, visando fortalecer a comunidade mesmo fora do ambiente virtual. Outras funcionalidades também foram pensadas para tornar o aplicativo acessível tanto para mulheres com regiões de difícil acesso à tecnologia 3G quanto para deficientes visuais e auditivos", conta.

Competição Internacional
A participação na WVEF Tech Challenge se deu a partir de um desafio global, explica Brenda. "Em julho de 2015, o International Trade Centre (ITC), o Google e a CI&T lançaram o WVEF Tech Challenge 2015, um desafio que convidava times do mundo inteiro a idealizar uma plataforma digital para aumentar as vendas de negócios gerenciados por mulheres (women-owned businesses ou WOBs, em inglês)". O WVEF Tech Challenge 2015 aconteceu em setembro, em São Paulo, e fez parte do parte do Women Vendors' Forum and Exhibition (WVEF), evento anual do ITC para WOBs.

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"Durante as fases classificatórias, nosso time manteve contato com mentores da Google, CI&T e ITC, que nos deram suporte até o dia da final. A Greenbell Communications, do Quênia, foi o time que ganhou o prêmio principal, mas durante todo o processo da competição trabalhamos muito e isso foi reconhecido. Ganhamos uma menção honrosa na competição. O time do EmpowerIt já está participando de uma programa do ITC chamado Youth and Trade e, em dezembro, iremos para o International Forum of Women in Business, que acontecerá durante o 10ª World Trade Organization (WTO) Ministerial Conference, em Nairóbi, Quênia", conta Brenda.

Experiência Internacional
Brenda e Marcela foram bolsistas de graduação-sanduíche do Ciência sem Fronteiras na Arizona State University (ASU), Estados Unidos. A experiência contou com o aprendizado da língua inglesa. "Para nós, o CsF foi a oportunidade que faltava para potencializarmos nossa capacidade de realização de projetos. Depois de muito estudo, conseguimos dominar o inglês e termos um desempenho muito bom na universidade que estudávamos, Arizona State University (ASU). Marcela e eu somos de chamadas nas quais os alunos foram fazer curso de inglês, além de disciplinas da nossa graduação."

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De 2013 a 2014, Marcela ajudou a fundar um clube de estudantes na Arizona State University, o Brazilian Club, participou de um grupo de pesquisa da ASU chamado "Cosmology and Astrophysics Research with the Hubble Space Telescop" e, no período de pesquisa de verão, foi a primeira mulher brasileira em 12 anos de escola de verão a participar do Wolfram Science Summer. Agora, no Brasil, se formou em Ciência da Computação pela Faculdade Farias Brito, em Fortaleza, e está unindo ex-alunos do CsF para ajudar pessoas a aprender ou aprimorar um idioma em um projeto chamado #napontadalíngua.

Rede CsF
Brenda foi uma das fundadoras da ONG Rede CsF e também se envolveu em um projeto de pesquisa em Biofísica no Instituto de Biodesign na Arizona State University. "Posteriormente, eu e a Marcela nos unimos para, junto com outros alunos da ASU, fundarmos o PubPhoenix, uma iniciativa do consulado de Boston que se expandiu para as demais regiões dos Estados Unidos. O intuito do PuBPhoenix foi reunir pesquisadores e universitários brasileiros na região metropolitana de Phoenix-Arizona para falar sobre tecnologia, pesquisa e inovação. Com isso, eu e Marcela acabamos nos aproximando e nossa amizade teve continuidade virtualmente após voltarmos ao Brasil. Podemos dizer que nossa experiência no CsF abriu várias portas que certamente nos levarão ao sucesso na nossa carreira profissional", enfatiza Brenda.

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Igualdade de gênero
A experiência no exterior foi importante para a estudante perceber semelhanças e diferenças entre Brasil e Estados Unidos no contexto da igualdade de gênero. "Nos EUA vimos que existe uma liberdade maior, mas não perfeita ainda, sobre a questão do gênero. Existe a diferença de remuneração, o número de mulheres na tecnologia é bem menor do que de homens, assim como o percentual de mulheres ocupando posições de liderança", conta Brenda.

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Essa desigualdade também é sentida na academia e na ciência. "O meio acadêmico também tem suas peculiaridades como vimos recentemente na campanha virtual 'Distractingly Sexy', que ganhou repercussão mundial por confrontar o discurso sexista de um cientista britânico, prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia. Apesar do cientista ter nacionalidade britânica, mulheres do mundo inteiro se identificaram com a causa e participaram do protesto virtualmente mostrando que, mesmo que as culturas sejam diferentes, os obstáculos existentes entre mulheres e suas aspirações ainda são muito similares."

Para Brenda, a produção de conteúdos que visem diminuir essa desigualdade é importante para os dois países. "Ambos os países, tanto os Estados Unidos quanto o Brasil, têm seus problemas particulares e possíveis soluções de acordo com os diferentes contextos culturais, mas conteúdos e iniciativas que promovam a igualdade entre os gêneros são extremamente relevantes para ambos."

Sonhar e transformar
As estudantes afirmam que a experiência nos Estados Unidos com o Ciência sem Fronteiras deram ferramentas e ampliou a visão sobre o mundo. "Aprendemos muito sobre CTI&E (Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação), conhecemos pessoas do mundo inteiro, vivenciamos uma imersão no universo do inglês, o que exigiu de nós uma nova forma de estruturar nossos pensamentos, e o mais importante, nos deu a certeza de que é possível transformar os sonhos em realidade. Mas para isso, uma oportunidade pode fazer toda a diferença."

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De acordo com Brenda, o aprendizado cultural permitido pelo intercâmbio também foi importante nesse processo. "Toda essa experiência somada a questionamentos levantados por conta dos contrastes encontrados entre a liberdade feminina aqui no Brasil e nos Estados Unidos, foram a estrutura para o nosso atual engajamento no uso da tecnologia para a redução da desigualdade de gêneros. Toda a vivência, desde os aspectos acadêmicos até os aspectos culturais, nos deram uma base muito grande para nos envolver em grandes projetos, os quais acreditamos que tenham grande potencial para transformar a sociedade brasileira" explica.

Nesse sentido, o EmpowerIt é uma ferramenta de um contexto de transformação maior. "Um dos motivos de acreditarmos tanto no potencial do nosso aplicativo é por acreditarmos que empoderar mulheres, ou seja, dar as ferramentas necessárias para que elas façam acontecer, ajuda a mudar a estrutura de poder e a gerar oportunidades para todas. O EmpowerIt é apenas o primeiro passo", conclui.

CsF
Lançado em dezembro de 2011, o Ciência sem Fronteiras busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio de suas respectivas instituições de fomento – Capes e CNPq. Ao todo, 101.446 bolsas foram concedidas em quatro anos, conforme meta inicial do programa.

Consulte nesta página matérias sobre a atuação dos bolsistas do CsF.
Outras informações, no site www.cienciasemfronteiras.gov.br.

(Pedro Arcanjo)