Uma avaliação preliminar do programa Ciência sem Fronteiras (CsF) foi apresentada nesta quinta-feira, 16, em mesa-redonda realizada na 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) foi representada pelo pesquisador Adalberto Luis Val e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) contou com a participação de Geraldo Nunes Sobrinho.

Uma avaliação preliminar do programa Ciência sem Fronteiras (CsF) foi apresentada nesta quinta-feira, 16, em mesa-redonda realizada na 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) foi representada pelo pesquisador Adalberto Luis Val e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) contou com a participação de Geraldo Nunes Sobrinho.

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Entre os dados apresentados, o programa Ciência sem Fronteiras atinge sua meta com a concessão global de 101.446 bolsas em quatro anos, sendo 78% deste total na modalidade de graduação. As principais áreas contempladas são as engenharias, biológicas, ciências biomédicas e da saúde. Os Estados Unidos da América contou com 32,7 mil bolsistas, seguido do Reino Unido com 11,4 mil; Canadá, 8 mil; França com 7,7 mil; e Austrália com 7,5 mil.

Entre as instituições de ensino superior brasileiras, a USP é a instituição que teve mais bolsistas contemplados, com 6,5 mil. Já entre as instituições que tiveram bolsas concedidas em comparação com o número de alunos matriculados, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) lidera a lista, com 35% das bolsas, seguido da Universidade Federal de Itajubá, com 22%.

Até o final de 2014, mais de 40 mil bolsistas do CsF já haviam retornado ao Brasil. Ao final de 2015, serão mais 32 mil egressos e, neste segundo semestre, estão viajando 14.050 bolsistas de graduação das últimas chamadas da modalidade da primeira fase do programa.

Avaliação
Geraldo Nunes falou sobre o contexto no qual o programa foi criado em 2011, e que o programa se tornou um grande desafio para a Capes e para o CNPq, agências executoras do programa. "Por ser um programa do Governo Federal, as agências tiveram de fazer um esforço para tocar o programa de forma conjunta. No início, não tínhamos ideia de que estávamos entrando em um processo acelerado de internacionalização. Algumas dificuldades só foram superadas pela expertise das duas instituições e de seus gestores", afirmou.

Entre os resultados positivos e imediatos do programa, Nunes citou o Idioma sem Fronteiras (IsF), criado e coordenado pelo Ministério da Educação com o objetivo de fortalecer o aprendizado de idiomas. "O Ciência sem Fronteiras foi responsável por criar uma política de línguas, o que, até então, não existia." Ele citou ainda o fato do CsF contribuir positivamente para as relações diplomáticas entre o Brasil e diversos países. Além da internacionalização do ensino superior ter entrado na pauta e ter despertado a necessidade de tratá-la de forma estratégica. "Internacionalização não pode virar commodities"

O representante do CNPq disse que as duas agências estão com uma quantidade enorme de informações que precisam ser trabalhadas por terceiros. "Tratar essas informações não é fácil, precisamos de apoio externo, inclusive da academia", concluiu. Segundo ele, avaliar a primeira fase é essencial para entender o programa e aperfeiçoá-lo.

Segunda fase
Sobre a segunda fase do programa, anunciada em junho do ano passado pela presidenta Dilma Rousseff, foi dito que haverá um melhor equilíbrio da oferta de bolsas entre as modalidades, já que a graduação foi a mais contemplada na primeira fase; também será aprimorada a participação das universidades no acompanhamento dos bolsistas, tanto no processo seletivo como no período em que o aluno estiver no exterior, a exemplo do que já é feito com a pós-graduação. Trabalhar no melhor aproveitamento de créditos é outro desafio. Também há o objetivo de aumentar a participação do setor privado.

Para Adalberto Val, é necessário ainda para a segunda fase trabalhar no que ele chama de "placement reverso" que seria coordenar o retorno dos bolsistas e direcioná-los de forma planejada para a vida acadêmica e profissional. Outra questão a ser desenvolvida é a definição de temas estratégicos e não áreas ou cursos, como aconteceu com a primeira fase.

Capes
A Capes participa da SBPC também com estande na tenda onde está montada a ExpoT&C, mostra de ciência e tecnologia. No estande, a Capes divulga os diversos programas em andamento, como o Ciência sem Fronteiras, os programas voltados à formação de professores da educação básica e tira dúvidas dos participantes. Este ano, o estande traz um espaço dedicado aos 15 anos do Portal de Periódicos. Também estão sendo distribuídos exemplares da Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG) e livros editados pela agência. A ExpoT&C segue até sábado, 18.

67ª Reunião Anual da SBPC
A reunião da SBPC acontece durante toda a semana e encerra sábado. Este ano, o evento tem como tema Luz, Ciência e Ação e é realizada na UFSCAR. Acesse a programação na página do evento.

Fabiana Santos